Principais formas do uso da água na agricultura - EOS Consultores
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Postado em: 03/07/2017

Última modificação: 13/02/2019

Tempo de leitura: 7 minutos

No texto de hoje vamos discutir a quantidade e as formas de uso da água na agricultura. Já falamos aqui no blog que o setor agrícola é o que mais demanda água no país. E isso não é muito diferente no restante do mundo, sabia?

A água é recurso vital para a sobrevivência. Não somente para consumo, ela é fundamental para a produção de alimentos.

As primeiras civilizações se desenvolveram nas bordas de rios e córregos, o que permitiu se estabelecerem em comunidades fixas e produzir o próprio alimento.

A agricultura é uma atividade que demanda o uso da água para a cultura dos alimentos e a manutenção das lavouras em diferentes regiões do mundo.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a agricultura mundial consome 70% do montante de toda a água consumida no planeta. No Brasil este número sobe para 72% e cresce à medida que o país é menos desenvolvido.

Água para agricultura

Dados da Embrapa revelam que a irrigação é a que mais consome desse percentual, sendo 11% dessa água para matar a sede dos rebanhos e apenas 1% para abastecer as áreas rurais.

Com essa quantidade, podemos ter uma noção do impacto que a falta ou má qualidade desse recurso causaria na agricultura e na saúde humana.

Assim, a forma de gerenciar o uso da água e como diminuir seu consumo sem alterar a produtividade têm sido as perguntas que pesquisadores e líderes governamentais têm feito nos últimos anos. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o Brasil conta com uma área irrigável de aproximadamente 29,6 milhões de hectares.

Hoje, o segmento do agronegócio contribui fortemente para a elevação do PIB brasileiro. Por isso, as inovações tecnológicas e o apoio dos órgãos gestores são essenciais para a sustentabilidade do setor agrícola.

A irrigação no Brasil

A irrigação é fator essencial para o cultivo de algumas lavouras. Em algumas regiões, como o Centro-Oeste, tem-se chuva em quantidade suficiente para atender as necessidades de uma cultura. Entretanto, isso não ocorre durante o ano todo.

Em outros lugares, como o semiárido nordestino, há grande deficiência de chuvas, tornando inevitável o uso da irrigação. Mesmo em períodos chuvosos, um sistema de irrigação pode evitar a falta de água provocada por possíveis estiagens e garantir a produtividade.

Entretanto, o processo de irrigação não é tão simples assim. É necessário conhecimento da quantidade de água que as plantas necessitam para não usá-la com desperdício. O ideal é medir a quantidade de água no solo e as condições climáticas do local, pois alteram o consumo de água da planta.

Além disso, precisa-se de equipamentos, energia e técnicas adequadas para a correta aplicação da água nos mais diversos cultivos. De acordo com o IBGE, as culturas mais irrigadas no Brasil são a cana-de-açúcar, arroz, soja, milho, feijão, laranja, café, cebola, melancia, algodão e o trigo.

A Embrapa afirma que o método pressurizado tem sido o sistema de irrigação mais utilizado no Brasil. Sendo 35% para sistema convencional, 19% para sistema pivô e 8% para sistemas localizados. Em seguida tem-se 24% com o sistema de inundação, 6% de sistemas de sulcos e outros 8% de métodos variados na área total irrigada no país.

São diversos tipos de irrigação não é mesmo?

Não detalharei cada uma delas, pois não é nosso objetivo neste texto. Porém, a imagem abaixo apresenta as classificações dos métodos de irrigação e suas subclasses.

A FAO indica que 60% da água utilizada em projetos de irrigação é perdida com fenômenos como a evaporação. E acentua que uma redução de 10% no desperdício poderia abastecer o dobro da população mundial atual.

Apesar disso, a ANA destaca que as culturas irrigadas resultam em aumento da oferta de alimentos e preços menores que àquelas produzidas em áreas não irrigadas, pois aumentam significativamente a produtividade.

O que contribui para o bom uso da água na agricultura?

Vimos que a irrigação é tratada como a grande vilã do uso da água na agricultura. Mas como podemos contribuir com a redução do desperdício de água no cultivo?

A agricultura é necessária para a sociedade, de fato. Sem ela, não é possível produzir a maioria dos alimentos e produtos primários. Assim, a perspectiva da sustentabilidade é importante para a agricultura e para a preservação da natureza em geral.

Hoje em dia existem infraestruturas e tecnologias que objetivam reduzir o desperdício de água. É importante lembrar sempre da quantidade de água que uma planta exige e das perdas que ocorrem nesse percurso.

Tanto para as lavouras irrigadas quanto para as dependentes da chuva, já existem práticas agrícolas que auxiliam nessa redução. Uma técnica mais simples e bastante difundida é a construção de reservatórios. O objetivo é armazenar água para utilizar tanto na irrigação quanto para outros fins, como na hidratação de animais.

Segundo a Embrapa, com políticas públicas adequadas, é possível incentivar o plantio direto e a construção de terraços nas áreas de produção de grãos e terraceamento nas áreas produtivas de fruteiras, florestas plantadas e pastagens. Essas ações intensificam a infiltração de água no solo e auxilia nos níveis dos aquíferos e lençóis freáticos.

Outra técnica, por exemplo, é a utilização da cobertura morta (resíduos de cultivos) que diminuem a evaporação da água. Uma solução mais tecnológica é o melhoramento genético das plantas que busca variedades mais resistentes ao déficit hídrico.

É importante ressaltar que o uso excessivo de agrotóxicos e sem o devido controle colaboram com a contaminação das águas. Isso torna o recurso impróprio para consumo e prejudica também a própria irrigação das lavouras.

E como a sociedade e os diversos órgãos competentes podem ajudar?

Um outro fator fundamental é o reflorestamento e a preservação das matas ciliares. Garantir a disponibilidade dos recursos hídricos é de responsabilidade não somente dos agricultores, mas da sociedade em geral. Além disso, é preciso prever e planejar medidas para épocas de escassez de chuvas para garantir a produção dos alimentos.

Muito além de tecnologias e métodos, capacitar os produtores pode ser a melhor forma de buscar novas medidas na agricultura e obter uma melhor qualidade na produção. O conhecimento do dia-a-dia do negócio aliado ao conhecimento técnico de manejo pode resultar em inovações para o setor e contribuir com a economia de água no campo.

Algumas considerações

Vimos ao longo do texto que o principal uso da água no campo é para irrigação das lavouras. Apenas uma pequena parcela é utilizada para os animais e para o abastecimento da zona rural.

Por isso, desenvolveram-se diversas tecnologias e métodos para reduzir o desperdício da água na agricultura.  Tal preocupação tange o objetivo da Lei nº 9.433/97, conhecida como Lei das Águas, que visa o manejo sustentável dos recursos hídricos a fim de preservar a quantidade e boa qualidade da água do disponível no país.

O Código Florestal também é uma legislação relevante quando o assunto é água. Nele encontram-se diretrizes que pregam pela preservação das matas e também dos recursos hídricos.

Em agosto de 2012, a ex-presidente Dilma Rousseff publicou o Decreto nº 7.794 que instituiu a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida da população por meio do uso sustentável dos recursos naturais.

Relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que o uso da água tem crescido a uma taxa duas vezes maior que o crescimento populacional ao longo do último século. Assim, é preciso deixar a agricultura na perspectiva sustentável.

No Brasil, a abundância de recursos hídricos é evidente bem como as leis ambientais que dão inveja à muitos países. Entretanto, as boas práticas de gestão do uso da água devem vir não só do governo como também da população.

Os produtores agrícolas, ciente de suas necessidades, devem ponderar sobre a quantidade e possibilidades de redução de desperdícios de água. Tecnologias não faltam. Cabe ao produtor e ao governo encontrarem os melhores investimentos a serem realizados.

Tem alguma contribuição a fazer? Sabe de alguma outra forma do uso da água na agricultura? Conhece alguma inovação ou tecnologia para redução do desperdício de água no campo?  Fale com um de nossos especialistas, queremos saber sua opinião!

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