Como funciona o tratamento de resíduos sólidos no Brasil?
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Postado em: 19/09/2018

Última modificação: 12/06/2019

Tempo de leitura: 10 minutos

Você sabe como é feito o tratamento de resíduos sólidos? Qual é o desdobramento de tanto lixo produzido e como é conduzido? Nos acompanhe e saiba um pouco mais.

Vamos falar sobre:

  • O que são Resíduos Sólidos?
    • Classificações de Resíduos pela origem
  • Como funciona o tratamento de resíduos sólidos no Brasil
    • Prevenção e Redução
    • Reciclagem e Reuso
    • Coleta e tratamento
    • Disposição final
  • Legislação de Resíduos Sólidos no Brasil
  • Como posso ajudar no tratamento de Resíduos Sólidos?

Antes de iniciar de fato nosso texto vale a pena falar um pouco sobre o cenário que incorpora o tratamento de resíduos sólidos.

As políticas públicas no Brasil tratam de forma específica as áreas do saneamento básico separando-as em quatro componentes: Tratamento de água, Coleta de esgoto, Tratamento de resíduos sólidos e Manejo de águas pluviais.

Cada um dos componentes tem uma forma de tratamento pertinente, com órgãos específicos, agências reguladoras e seus respectivos operadores.

A preocupação com as políticas públicas engloba vários fatores como meio ambiente, a população a ser atendida, recursos humanos e financeiros e por fim aspectos técnicos para prestação desses serviços.

O que são Resíduos Sólidos?

Imagem sobre Resíduos Sólidos

Partimos das definições dos resíduos sólidos, que podem ser compreendidos como resíduos resultantes de algumas atividades.

Existem várias formas de classificar os resíduos sólidos, como por exemplo: Origem, Grau de Degradabilidade e Periculosidade. Vamos detalhar um pouco como são classificados pela origem.

Classificações de Resíduos pela origem

Classificar os resíduos pela origem significa observar a fonte geradora do lixo, ou seja, de onde ele vem.

Resíduos domésticos

resíduos domésticos

Uma dessas origens é a urbana. Ela  compreende o lixo gerado por residências, comércios, varrição de feiras, poda e capina.

Chamado também de lixo urbano pode ser coletado de forma seletiva ou indiferenciada. O que influencia na geração desse lixo é principalmente a situação socioeconômica, condições e hábitos de vida da população em questão.

 Resíduos de construção civil

Resíduos construção civil

Já quando se fala de construção e demolição, o lixo é gerado por entulho, solos descartados, madeiras, latas de tintas, gesso entre outros.

Segundo a Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos de Construção Civil e Demolição (Abrecon), esse lixo sólido representa 60% do produzido pelas cidades, sendo que 70% desse montante poderia ser reciclado.

Resíduos industriais

Resíduo Industrial

Temos também a origem industrial, sendo a de rejeitos de processos de fabricação e lodos dos tratamentos de efluentes fabris.

Esses resíduos sólidos podem ser gerados pelas mais diferentes indústrias como a química, alimentícia, têxtil, metalúrgica, automotiva, papelaria entre outras.

E infelizmente, o Brasil falha mais uma vez, reciclando apenas 13% dos resíduos industriais.

O descarte desses materiais em local inadequado traz sérios riscos ao meio ambiente poluindo o solo e os mais diversos cursos de água.

Apesar de existirem leis específicas para o tratamento adequado, elas nem sempre são cumpridas.

Resíduos hospitalares

Resíduo Hospitalar

A lista segue passando pelos lixos originados nos serviços de saúde como hospitais, clínicas médicas e veterinárias, centros de saúde consultórios odontológicos e farmácias.

São conhecidos a grosso modo como lixo hospitalar ou resíduos de serviço de saúde (RSS) e são divididos em 5 grupos segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): potencialmente infectantes, químicos, rejeitos radioativos, resíduos comuns e os perfurocortantes.

Resíduos radioativos

Resíduos Radioativos

Podem se considerar resíduos radioativos todos os de origem atômica, que normalmente não tem mais propósito prático.

Esses resíduos podem ser gerados na produção de combustível para reatores, armamento ou medicina nucleares e radioterapia.

É alarmante falar que alguns compostos deste lixo podem demorar milênios para se decompor. Sendo classificados por atividade baixa, média ou alta e por tempo de semidesintegração.

Resíduos agrícolas

Resíduos Agrícolas

Consideramos resíduos agrícolas aqueles que provém da produção de defensivos agrícolas e suas embalagens.

São gerados pela sobra da atividade agrícola, pecuária, restos de colheita, esterco, ração entre outros.

Esse é mais um tipo de resíduo que se deve ter cuidado no descarte, pela ampla e crescente produção ao redor do mundo.

Resíduos eletrônicos

Resíduos Eletrônicos

Outra origem de resíduos é o descarte de material eletrônico, um tipo de lixo que também tem aumentado em larga escala. Portanto o descarte correto se torna muito importante para evitar problemas ambientais. Alguns exemplos que podem ser citados são os monitores de computador, celulares, baterias, televisores, câmeras fotográficas entre outros.

Existem cooperativas, e às vezes até a própria empresa fabricante, que se dispõe a coletar e tratar esse material.

Outra opção também é doar tecnologias que não se usam mais para programas de inclusão digital.

Como funciona o tratamento de resíduos sólidos no Brasil?

Cada um dos tipos de resíduos precisa de uma coleta e transporte corretos. E isso começa com os Resíduos Sólidos Urbanos que não podem ultrapassar uma semana no intervalo de geração e coleta.

De cara já vemos que, devido a proporção de produção de lixo, temos um grande desafio de logística.

A hierarquia a ser adotada visando prevenir a poluição deve seguir a seguinte escala:

Prevenção e Redução

Os municípios e/ou responsáveis pelo tratamento do lixo da cidade devem buscar a não geração ou redução da quantidade gerada. A população deve ser incentivada a reduzir o lixo que coloca pra ser levado.

Seguindo esse raciocínio a Prefeitura de Curitiba – PR, criou um programa para tal que iniciou suas atividades em 2014.

No artigo que anuncia a criação do programa são dispostas dicas simples que vão desde o planejamento de compras para posterior descarte até o não uso de copos descartáveis.

Indicando sempre não colocar no lixo por exemplo roupas e sapatos que podem ser doados ou reutilizados.

Reciclagem e Reuso

Fomentar a reciclagem e o reuso também tem sido rotina dos municípios e responsáveis pela coleta e tratamento do lixo.

Um exemplo é o município de São Carlos que tem coleta seletiva (coleta que diferencia resíduos separados previamente por composição ou constituição), em 80% da cidade.

Já o óleo de cozinha pode ser deixado em escola municipais, bem como móveis velhos e restos de materiais de construção que podem ser levados para Ecopontos.

Coleta e Tratamento

Aqui é que o negócio aperta, os dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE) são negativos para o setor. Pois muitas vezes os passos que eram pra ser anteriores carecem de conscientização tanto do poder público quanto da população.

Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil – 2016, quase 60% dos municípios brasileiros destinam seus resíduos sólidos para locais inadequados. Consta ainda no panorama que 76,5 milhões de pessoas sofrem as consequências da falta de tratamento adequado desse lixo.

Temos dentro do mesmo relatório a informação que 91% do Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) é coletado no Brasil, e 52,7% dos resíduos vem do sudeste.

Os dados de coleta seletiva revelam que mais de 30% do país não pratica coleta seletiva, chegando a 56,7% no Centro-Oeste.

Comumente no Brasil são usados os seguintes os seguintes tratamentos:

Tratamento Mecânico

Tratamento mecânico

Como o nome sugere o tratamento é feito usando processos físicos em usinas de triagem para separar ou reduzir o tamanho dos resíduos.

Podem ser usadas técnicas de quebra, trituração ou aglomeração para posterior classificação, separação ou compactação. E ainda, mudanças de estado físico como condensação, evaporação ou sublimação.

Tratamento Bioquímico

Tratamento Bioquímico

No tratamento de resíduos sólidos bioquímico, a decomposição da matéria é feita normalmente por seres vivos (bactérias e fungos).

Nesse processo é feita a quebra de moléculas maiores, dependendo da tecnologia utilizada.

O tratamento bioquímico por biodigestão quando aplicado a sólidos orgânicos urbanos e rurais ou resíduos com alto teor de celulose, abastece as centrais de biogás.

Inclusive, temos um texto sobre tratamento de esgoto e o aproveitamento do biogás se quiser saber mais.

Já o tratamento bioquímico por compostagem precisa de oxigênio em seu processo, podendo ser feito juntamente com o primeiro tipo de tratamento em alguns empreendimentos.

Um exemplo é a Usina de compostagem em Salerno na Itália, que aplica o método a baixo custo dispondo os rejeitos em ambiente controlado.

Tratamento Térmico

Tratamento Térmico

No tratamento térmico, de acordo com a tecnologia, os resíduos recebem determinado calor (temperatura de reação) por determinado tempo (tempo de reação). O objetivo é a redução de volume com os processos físico-químicos.

Podem ser citados os seguinte modelos de tratamento térmico de resíduos: Secagem, Pirólise, Gaseificação, Incineração e Plasma.

Disposição final

Para finalizar o processo, o resíduo sólido que não foi consumido pelos processos de tratamento segue para alguma das disposições finais: Lixões, aterro controlado ou aterro sanitário.

Disposição Final de resíduos

Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil – 2016

O lixão é um espaço a céu aberto para destinar lixo, normalmente sem tratamento algum.

Lixão

O grande potencial de problemas é a proliferação de insetos peçonhentos e escorpiões, que transmitem doenças, contaminam o ar, o solo e os lençóis freáticos, sem contar o mau cheiro que exala constantemente.

Seguindo a lista temos a disposição em aterro controlado, que é o meio termo de lixão e aterro sanitário.

Aterro Controlado

É feita alguma captação de chorume e gases mesmo que de forma simples. O maior objetivo é minimizar os impactos ambientais.

Por fim, o que seria mais adequado é o aterro sanitário, onde há cuidado com os gases e o chorume gerado pelo lixo.

Aterro Sanitário

Há cobertura com camadas de terra para evitar odores, incêndios e animais transmissores de doença.

Legislação de Resíduos Sólidos no Brasil

A lei que regula a Política Nacional de Resíduos Sólidos no país é a de número 12.305 de 2 de agosto de 2010.

A lei inicia tratando das responsabilidades, tanto pública quanto privada, no tratamento de resíduos sólidos considerando as tendências de mercado, ou seja, a forma que outros países e entes federados tratam seus resíduos, que nortearão os próximos o Planos Nacionais de Resíduos Sólidos.

No segundo título é dito sobre prevenção, precaução, desenvolvimento sustentável, respeito a diversidades locais e outras forma de controle. São apresentadas ferramentas como educação, monitoramento e fiscalização ambiental, sanitária e agropecuária.

São estabelecidos também instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, entre eles o plano de resíduos sólidos.

Como posso ajudar no tratamento de Resíduos Sólidos?

Uma das formas mais práticas para ajudar na gestão dos resíduos sólidos é a não geração, conforme citamos, evitando transtornos posteriores. Visto que o número de resíduos só cresce no Brasil e no mundo.

Se deve, com base na lei dos resíduos sólidos, usar da responsabilidade compartilhada para que o gerador gerencie seus resíduos de forma adequada ou seja punido caso não faça.

Como você age em relação a geração de lixo? Pratica coleta seletiva ou tem algum modo de reduzir sua produção de lixo?

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